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Factoring é uma ferramenta inteligente

rui-esteves-factoring-portugalEm entrevista a Sónia Bexiga, do jornal OJE Digital, Rui Esteves, vice-presidente da ALF – Associação Portuguesa de Leasing, Factoring e Renting traça o atual retrato do factoring em Portugal, antevendo, de forma otimista porém cautelosa, que 2016 seja um ano de crescimento, sobretudo entre as PME.

Que números se podem esperar sobre o factoring em Portugal neste primeiro trimestre? Estarão dentro das expectativas?

Embora ainda não tenhamos revelado os dados finais para o primeiro trimestre de 2016 das instituições de factoring membros da ALF, que representam quase 100% do setor, podemos prever um crescimento da produção, observando-se valores em linha com a tendência de recuperação gradual do segmento registada em 2015. Denote-se que este mecanismo de apoio à tesouraria, que permite às empresas um melhor financiamento do seu ciclo de exploração, com a opção de obter uma antecipação dos recebimentos dos seus clientes, tomou cerca de 22,9 mil milhões de euros em faturas em 2015, verificando-se um aumento estimado de 3,8% (847 milhões de euros) em relação ao período homólogo. Estimamos que este crescimento se tenha acentuado já em 2016. Neste sentido, destaca-se sobretudo o factoring de exportação que tem registado um maior crescimento, atingindo, no final de 2015, os 2,72 mil milhões de euros em créditos tomados. Note-se que o factoring de exportação verifica-se quando a instituição de factoring (factor) adquire créditos de fornecedores do seu país sobre adquirentes estrangeiros (os devedores), permitindo ainda às empresas exportadoras nacionais antecipar os recebimentos dos seus clientes estrangeiros.

Que estimativas tem a ALF para o corrente ano? Como evoluirá?

Em 2016, as instituições de factoring vão manter a linha de crescimento, seguindo as previsões otimistas, embora cautelosas, para 2016. Podemos afirmar que existe potencial para crescer sobretudo entre as PME e as “factors” vão continuar a estimular este segmento a aderir aos serviços de factoring como forma de complementar as opções de crédito tradicionais, contribuindo para o seu crescimento e flexibilidade económica. Caso não existam imprevistos até ao final do ano e com a cautela que qualquer estimativa aporta, poderemos chegar ao final do ano a crescer pelo menos 10%.

A evolução robusta do factoring de exportação é incontornável. É expectável que continue a crescer este ano? Que peso assume atualmente na economia nacional?

As exportações em Portugal cresceram exponencialmente transformando-se num dos pilares da economia nacional. Até ao final do ano de 2015, 5,5% do total das exportações portuguesas nesse ano, foram efetuadas com o apoio do factoring. Em 2016, prevê-se que o factoring de exportação continue a ter um papel importante, garantindo a segurança na cobrança para as empresas portuguesas – no caso do factoring de exportação, é uma instituição no país de destino das exportações que faz a cobrança da empresa portuguesa, dissipando o receio de esta ver o pagamento pela prestação de serviços ou vendas de bens para o estrangeiro ser muito atrasado ou não efetuado. A instituição de factoring empresta assim o seu peso institucional aos seus clientes para que os fluxos comerciais se processem de forma natural e respeitando os parâmetros acordados.

É possível traçar o perfil das empresas que, em Portugal, escolhem este tipo de serviço?

O tipo de empresa é muito diversificado e vai desde as grandes empresas com exportação para diversos países a pequenas empresas que vendem, por exemplo, mastros de velas para embarcações para o estrangeiro. Todas têm a ganhar com as vantagens e serviços oferecidos pelas “factorings”, quer ao nível de agilização e equilíbrio da tesouraria, seja por ir uma instituição de factoring fazer a cobrança lá fora, instituição essa que tem um peso e uma capacidade de cobrar muito maior que a pequena empresa portuguesa. As PME são o segmento com maior potencial neste momento, identificando cada vez mais o factoring como um produto seguro, rápido e eficiente para obter recursos financeiros, complementando ou funcionando como uma alternativa a outros produtos da banca tradicionais.

Considera que o tecido empresarial português está suficientemente esclarecido sobre as vantagens e desvantagens deste financiamento especializado?

Sim, Portugal é inclusivamente um dos países europeus com maiores taxas de penetração do factoring no Produto Interno Bruto (PIB) e com potencial para crescer, como mencionado. As empresas compreendem cada vez melhor, as vantagens do factoring e muitas recorrem já a soluções de “full factoring”, usufruindo assim dos três serviços essenciais associados ao factoring: financiamento, gestão de cobranças e cobertura de risco de crédito. Desta forma, além de obterem liquidez imediata, através do financiamento do montante de vendas, conseguem ter uma melhor organização da sua tesouraria pois, pela via da subcontratação da cobrança, transformam custos fixos em custos variáveis, que podem ser adequados ao seu ciclo de vendas. Com o “full factoring”, a empresa subcontrata assim vários serviços, com a vantagem de se poder concentrar na sua própria atividade. Além disso, ganha uma maior flexibilidade de tesouraria, já esta fica entregue à “factor”, que monitoriza de forma constante a evolução da mesma. Não obstante, existe sempre um caminho de formação e informação sobre os diversos aspetos relacionados com o factoring, que quer a ALF quer os seus associados se esforçam por efetuar em todo o país.

Em que cenários devem, em sua opinião, os empresários portugueses procurar o factoring?

Cada vez mais o factoring é reconhecido como uma ferramenta inteligente, procurada quando as empresas pretendem melhorar a gestão da sua tesouraria, podendo incluir, ou não, adiantamento sobre faturas e também com funções administrativas (serviços de cobrança, comerciais e contabilísticos, apoio jurídico) e estudo do risco de crédito (atribuição de limites de crédito por devedor). Permite ainda utilizar um recurso que geralmente não se utiliza no financiamento, que é a conta clientes através das vendas. Todos estes serviços permitem agilizar a tesouraria das empresas, disponibilizando recursos para outras áreas.

Tem-se vindo a dissipar com cada vez maior intensidade, a ideia errada de que o factoring serve apenas para empresas com dificuldade em aceder a outros meios de financiamento ou que é apenas uma solução para problemas de liquidez e tesouraria resultantes do atraso no pagamento das faturas dos clientes, graças a um esforço da ALF, juntamente com os seus associados. Recorrer ao factoring é sinónimo de garantia nos pagamentos e respetivos prazos, para além das “factors” efetuarem análises de risco detalhadas em cada situação e serem conhecedores da realidade empresarial nacional e internacional.

Que condições devem reunir as empresas, particularmente as médias, para ter sucesso na obtenção deste financiamento?

Não existem limitações significativas, quase todas as empresas que prestam serviços ou vendem produtos podem recorrer ao factoring para as apoiar nas diversas fases do seu ciclo de negócio e, naturalmente, as empresas exportadoras podem recorrer ao factoring de exportação.

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Equipe Order By

Equipe Order By, com 15 anos dedicados ao fomento mercantil, é especializada em soluções de tecnologia e serviços para empresas de factoring, securitização e FIDC.

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