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Why not?

Iate de Joesley Batista avaliado em R$ 30 milhões — Foto: divulgação

Entrevistado esta semana quando de um treinamento em prevenção e combate à lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo, a repórter questionou sobre minha visão do povo brasileiro e a percepção com relação ao tema e, em especial, sobre a pretensa “malandragem”  que, em tese, está ínsita ao nosso perfil  comportamental.

Bom,  particularmente entendo que o nosso povo não tem este perfil, embora seja extremamente míope quando das eleições, a considerar a escória da classe política, cujos comentários não tenho mais estômago para tecer.

Mas, em face ao evento, treinamento na prevenção e combate à lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo, enquanto instrutor, não poderia esmorecer, e com uma resposta foca da otimista, relatando os avanços da Lava Jato, a atuação do COAF e a mudança na percepção do empresário e da sociedade, em especial sobre punição aos crimes praticados, ou seja, disseminar a convicção de que o crime não compensa.

No outro dia pela manhã,  vejo no noticiário a matéria sobre os donos da JBS, em especial a remoção dos seus bens de valor para os Estados Unidos, e o apartamento de U$ 100 milhões do nosso estimado Joesley, em Nova Iorque.

Absolutamente impunes, por força do acordo de delação premiada, bilionários as custos do BNDES e Caixa, saqueiam o Brasil para gastar o que roubaram, num país desenvolvido e à altura das suas fortunas, com o aval dos procuradores, aos quais, após esta, perderam totalmente meu respeito e admiração.

Retornando, quando do treinamento, estava falando para um público que opera linhas de crédito para microempresas e empresas de pequeno porte, que sequer têm direito de passar defronte a uma agência da Caixa Federal, posto que são (microempresas e empresas de pequeno porte) setor desprezível da economia.

O BNDES, então, está mais que provado a via de acesso: amigo do Rei!

E nesta convulsão e conflito ético interno, assisto o  vídeo do iate do Joesley, sendo embarcado para os Estados Unidos.

Nome do iate?

Um  termo jocoso e debochado para com o povo brasileiro, que estimula, justifica e retrata  o resultado , ou seja, o impulso para a delinquência planejada, como se fosse algo assim: vai lá, rouba mesmo, mas rouba muito!

Depois delata aos procuradores e dá tudo certo!

Afinal de contas, na dúvida se devo ou não roubar, coincidência ou não, a aposta é Why Not?

Alexandre Fuchs das Neves

Alexandre Fuchs das Neves, especialista em instituições financeiras, FIDCs, securitizadoras e fomento mercantil na Neves Advogados Associados. Fale comigo no email alexandre@na.adv.br.

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